Otimistas em relação a 2010, algumas das maiores empresas que prestam serviços de recursos humanos no país estão ampliando seus quadros e aumentando os investimentos em treinamento interno e infraestrutura para dar conta da demanda. Se no ano passado, mesmo com a crise, companhias como Gelre e Manpower comemoraram a conquista dos mesmos índices de 2008, agora o plano é aproveitar o reaquecimento da economia e expandir a carteira de clientes. "No início do ano fazemos tradicionalmente muitas colocações em empresas de administração e contabilidade. As áreas de informática e logística também continuam com uma grande oferta de vagas", afirma Jan Wiegerinck, presidente da Gelre, especializada em trabalho temporário. Setores como comércio varejista e serviços sofreram menos com a crise e mantiveram os resultados positivos das recrutadoras. "Houve uma substituição de clientes. Enquanto alguns congelaram e reduziram seu efetivo, outros estão crescendo vigorosamente", explica Pedro Guimarães, diretor comercial da Manpower. De acordo com ele, os negócios da Manpower deverão aumentar de 20% a 30% neste ano. Com exceção de 2009, que repetiu o faturamento do ano anterior, esse patamar vem se repetindo desde 2003. "O carro-chefe agora será o setor de construção civil", afirma. Outras companhias de RH, recrutamento e seleção como a Allis e a Tradição dizem ter investimentos planejados - e capital garantido - para os próximos cinco anos e, por isso, não sentiram as recentes turbulências da economia. Em junho, por exemplo, a Tradição fechou uma parceria com a americana Kelly Services, uma das maiores empregadoras do mundo, presente em 39 países, para comandar as operações da empresa no Brasil. Até 2011, serão US$ 20 milhões injetados pela matriz e, ao fim do período, o nome muda definitivamente para Kelly Services. Além disso, a Tradição tem ganhado espaço no norte e nordeste do Brasil com a inclusão das classes D e E na faixa de consumo, totalizando um crescimento de 25% dos negócios em 2009. "Mesmo as cidades mais longínquas do país, onde só existiam pequenos comércios locais, estão sendo invadidas pelas grandes redes. É uma região enorme para se formalizar empregos e preencher vagas temporárias", afirma o presidente da Tradição Pedro Caldas. Além disso, de acordo com ele, as festas de santos, como a de São João, chegam a bater o Natal por lá em vendas e abertura de vagas temporárias. O executivo espera um crescimento na área de recrutamento da empresa para este ano de 35%, ultrapassando os R$ 200 milhões de faturamento. Haverá ainda o dobro de investimentos na área de TI da companhia (R$ 6 milhões) e a duplicação da equipe de apoio formada por psicólogos, avaliadores e técnicos. "O objetivo é aumentar em 50% nossas unidades operacionais, onde atuamos em parceria com uma rede de coligados do Brasil inteiro", diz Caldas. O Grupo S&L também colhe os frutos de uma parceria internacional. Após ter 60% do capital adquirido pela italiana GI Group, a empresa passou de 3 unidades em 2008 para 11 em 2009 - o objetivo é chegar a 18 até 2012. Com a presença em mais estados e a entrada dos investimentos estrangeiros, a área de RH da companhia aumentou em 25% sua carteira de clientes e passou de 55 para 151 funcionários. "Temos uma grande oferta de vagas nas áreas automotiva, farmacêutica e financeira", afirma o diretor comercial do grupo S&L, José Roberto Scalabrin. Somente na divisão de recursos humanos, o executivo prevê um faturamento 40% maior neste ano em relação a 2009 e a expansão dos contratos no interior de São Paulo. Alberto Khzouz, diretor-executivo da Allis também espera um acréscimo de cerca de 40% nos negócios da companhia em 2010 e, se tudo sair como o esperado, atingir a marca de R$ 500 milhões. "Acreditamos na profissionalização do mercado de recursos humanos e vamos investir fortemente em formação de pessoas, governança corporativa, tecnologia e sistemas", garante. Embora tenha sido demandada por empresas de setores como telefonia, entretenimento, varejo e alimentos e bebidas, a Allis credita aos investimentos estratégicos parte dos 40% que teve de aumento nas operações no ano passado, em relação a 2008. "Estudamos também a abertura de novas filiais, baseados no crescimento do PIB de cada lugar e no interesse dos clientes", diz Khzouz. Atualmente, são 27 unidades e, em 2011, a Allis planeja entrar com mais intensidade no norte e no nordeste do país, acirrando a disputa pelo mercado de recursos humanos, recrutamento e seleção na região. |