Mulheres em ascensão Eleni Trindade Neste Dia Internacional da Mulher há boas e más notícias sobre o mercado de trabalho. A boa: a dedicação feminina nas empresas está gerando resultado positivo e vem crescendo o número de mulheres em cargos de liderança. No entanto, um antigo problema ainda ronda o cenário: o salário de uma mulher ocupando o mesmo cargo de um homem ainda é menor. De acordo com a Great Place to Work, consultoria internacional que faz a pesquisa Melhores Empresas para Trabalhar em 44 países, o mercado profissional feminino está em ascensão. Em 2009, 43% dos postos de trabalho nas 100 melhores empresas para se trabalhar eram ocupados por mulheres e elas estavam em 36% dos cargos de liderança nessas organizações. Em 1997, apenas 11% dos cargos de chefia eram ocupados por mulheres. “As empresas têm percebido cada vez mais o valor do perfil feminino nas organizações e tirado proveito de suas características. A sensibilidade, a flexibilidade e a capacidade de lidar com conflitos da mulher se transformam em maior produtividade nas organizações”, entende Andrea Veras, diretora da Área de Desenvolvimento de Lideranças da Great Place to Work. “O acesso das mulheres às posições de chefia, gerência e diretoria vem aumentando. Mesmo nos altos níveis da administração governamental - nos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário -, a participação vem se ampliando”, afirma José Pastore, professor titular da Faculdade de Economia e Administração da USP e especialista em Economia do Trabalho. Salários De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres recebem cerca de 65% da renda dos homens. Além disso, uma das conclusões do estudo “Mulheres e trabalhos: avanços e persistências”, que será divulgado hoje pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), é que apesar de ocuparem cada vez mais postos no mercado de trabalho, as mulheres ainda estão encarregadas da maior parte dos afazeres domésticos. Um relatório divulgado no início do mês pela Diretoria da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil, confirma a jornada dupla das mulheres: “Ao se conjugarem as horas de trabalho dedicadas às tarefas domésticas com àquelas referentes à jornada do mercado de trabalho, a média semanal total delas alcança 57,1 horas e ultrapassa em quase cinco horas a dos homens (52,3 horas).” “Além de ganhar menos, elas demoram para ser promovidas, mas já foi pior”, pondera Andrea. Segundo ela, a mulher sempre precisou se dedicar para ter conquistas profissionais e por muito tempo ainda será assim. “A maioria delas tem um papel importante na vida doméstica e também tem uma grande demanda para provar sua capacidade profissional.” NÚMEROS 42,5 milhões de mulheres Estavam no mercado de trabalho brasileiro em 2008, segundo relatório da Organização Internacional de Trabalho, o equivalente a 43,7% do total de 97 milhões de pessoas 55,9% é a taxa de participação das mulheres no mercado de trabalho, em 2009, na Região Metropolitana de SP, de acordo com a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) 20,9 horas gastas por semana pelas mulheres trabalhadoras com os afazeres domésticos. Para os homens ocupados, o tempo gasto é de 9,2 horas semanais. A média geral é de 16 horas Lorraine de Matos é gerente geral da Cultura Inglesa de São Paulo. “Existe uma curva de aprendizagem necessária e é nossa experiência, os acertos e erros e como lidamos com isso, que definem o caminho. Ter objetivos claros e a vontade de vencer são fatores críticos de sucesso. Quem tem paixão pela sua área de atuação tem uma enorme vantagem, que é o meu caso. Para mulheres em início de carreira, recomendo ter sempre foco no rumo, tenacidade e disciplina. “ Amalia Sina é proprietária da Sina Cosméticos e foi presidente da Philip Morris do Brasil, da Walita do Brasil e vice-presidente da Philips para a América Latina. “Antes de tudo, a mulher precisa estabelecer qual sua ideia de felicidade. Para crescer na carreira, ela deve estudar o tempo todo, saber falar muito bem e até brigar em inglês, ter preparo físico e estar ciente de que os sacrifícios são necessários, como ficar longe dos filhos, do marido e da família quando for preciso. “ Estão em todos os setores, mas o destaque é serviços O dito sexo frágil está presente em todas as áreas profissionais. “Embora ainda existam diferenças na carga horária e nos salários, estamos assistindo aos poucos a uma abertura cultural das empresas de valorizar as pessoas por suas competências, independentemente do sexo, por isso, as mulheres podem se dar bem em qualquer área que queiram atuar”, afirma Leyla Nascimento, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH Nacional) e primeira mulher a assumir esse cargo. Mas o contingente maior de mulheres está mesmo nas áreas humanas, biológicas e serviços. São áreas tradicionalmente femininas e ao mesmo tempo são as que hoje oferecem mais oportunidades de crescimento para elas. De acordo com José Pastore, especialista em economia do trabalho, esses setores concentram mulheres porque se adaptaram à capacitação delas. Atividades de escritório, educação, saúde, hotelaria e restaurantes, paisagismo, jardinagem, comércio por conta própria, serviços pessoais, informática, comunicações, bancos, seguros, artesanato, esportes, recreação e trabalho doméstico são alguns exemplos. “Além disso, o mundo empresarial expandiu atividades que contém valores bem cultivados pelas mulheres, como projetos sociais, arte, decoração, cultura e humanização do trabalho.” A profissão de dentista, por exemplo, hoje é dominada pelas mulheres. De acordo com a Associação Brasileira de Odontologia (ABO), as cirurgiãs-dentistas são a maioria na profissão em 25 dos 27 Estados do Brasil e representam 56,3% dos profissionais da categoria. Alessandra Martinelli, 38 anos, mãe de um casal de gêmeos e casada com um dentista é uma delas. “Escolhi essa carreira porque, além de adorar o que faço, ela permite flexibilidade de horário para que eu possa me dedicar ao consultório e à família na mesma proporção.” EM DIREÇÃO AO TOPO Além da formação técnica em sua área de atuação, a mulher deve investir em cursos de extensão na área financeira. De acordo com Leyla Nascimento, presidente da ABRH, assim ela estará preparada para assumir cargos de gestão, que envolvem planejamento estratégico e administração financeira. É preciso investir no marketing pessoal, isto é, ter objetivos na carreira, ficar atenta à forma como escreve e se expressa, cultivar o hábito da leitura para saber transitar por diferentes setores dentro das empresas e no ambiente externo com clientes e fornecedores A mulher que quer ter cargo elevado no carreira, precisa estar muito bem preparada, inclusive emocionalmente. De acordo com Amalia Sina, é preciso investir na formação, fazer cursos de pós-graduação, falar inglês fluentemente e estar preparada para dedicação integral ao cargo
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