Antifrágil

O conceito de antifrágil, criado por Nassim Taleb em 2012, descreve sistemas – empresas, economias ou pessoas – que não apenas resistem a choques e crises, mas também saem mais fortes deles. Diferente da resiliência (que recupera o estado anterior) ou da robustez (que resiste sem mudar), o antifrágil implica em ganhar com a desordem. Em um mundo volátil, incerto, complexo e ambíguo, com eventos inesperados (cisnes negros) como pandemias ou crises econômicas, este conceito complementa a filosofia ágil para adaptação rápida e evolução sustentável. Assim, desafia normas como otimização e crescimento linear constantes, valorizando o caos como motor de inovação.

Pressupostos Fundamentais

O antifrágil baseia-se em ideias que invertem lógicas comuns de gestão. Estabilidade excessiva enfraquece; doses controladas de erros e/ou falhas fortalecem, similar ao eustress (estresse que leva ao crescimento positivo) na saúde humana como os benefícios do jejum. Outros incluem: 

  • Redundância positiva: não desperdício, mas investimento em segurança, como reservas extras.
  • Via negativa: focar no que evitar (dívida excessiva, dependência única) é mais eficaz que planos rígidos.
  • Skin in the game: riscos pessoais incentivam boas decisões, promovendo responsabilidade.
  • Erro como “dado”: aprendizado de falhas pequenas, não previsões perfeitas. O colaborador antifrágil não é o que não erra, mas o que extrai aprendizado rápido. Não aceitar negligência, mas celebrar o “erro de teste”.
  • Limites à otimização: eficiência extrema vulnerabiliza; equipes operando a 100% de ocupação são frágeis e quebram na crise; equilíbrio com sustentabilidade é chave.
  • Capacidade de Desaprender: capacidade de mudar de ideia acima da experiência técnica acumulada. O conhecimento antigo pode ser tóxico em cenários dinâmicos.

Em RH e coaching, a antifragilidade questiona ideias neoliberais de incentivo ao desempenho para atingir objetivos por meio de gestão mais eficaz e eficiente de seus recursos, mas que ignoram o imprevisível, propondo reflexão crítica para desenvolvimento humano como ferramenta de mudança social, não só individual.

Exemplos Práticos

No corporativo, Netflix migrou de DVDs para streaming antes da obsolescência, crescendo enquanto Blockbuster colapsou por rigidez. Na Covid-19, Amazon e Walmart adaptaram cadeias de suprimentos diversificadas, virando disrupções em vantagens. Toyota usou “cordão Andon” para detectar problemas e superou tsunami de 2011, aprendendo continuamente. No Brasil, Chilli Beans descentralizou decisões em crises econômicas, com liderança diversificada e baixo endividamento, expandindo. Em tech, Netflix simula falhas para fortalecer sistemas. Individual: mindset antifrágil expande mapas mentais com desafios, medido por escalas de risco e trial-and-error. Economias como Suíça priorizam descentralização federal e regras simples, beneficiando de volatilidade global.

Tônica no Papel do RH, Coaching e Áreas Afins

RH e coaching são centrais para antifragilidade organizacional, criando culturas que transformam caos em crescimento. 

RH fomenta equipes versáteis com job rotation, simulações de crises e “grupos do caos” para detectar fraquezas cedo. Investir em programas de desenvolvimento como a autorregulação emocional e a adaptação cognitiva, em vez de treinar o “como fazer”, treine “saber agir”.  Estratégias: contratar polímatas (versáteis, não especialistas), promover sabáticos contra burnout, integrar IA e humanos para redundância. 

Coaching facilita conversas reflexivas: questionar normas de performance, explorar “cisnes negros”, reposicionar propósito para mudança social. Ajuda mindsets antifrágeis com narrativas adaptáveis a futuros incertos, equilibrando eficiência e sustentabilidade. 

Líderes constroem ecossistemas, não controlam; RH catalisa, preparando equipes para prosperar em disrupções, evitando obsolescência e fomentando inovação ética.

Referências

CORRIE, S., & KOVACS, L. C. (Nov de 2025). How can Antifragility Help Theorize Coaching in a Volatile and Unpredictable World? Philosophy of Coaching, 10(2), pp. 40-53. Fonte: http://dx.doi.org/10.22316/poc/10.2.04

 GALDINI, Danilca. Antifragilidade: o antídoto para tempos instáveis. Think Work Lab, São Paulo, 20 out. 2025. Disponível em:  HYPERLINK “https://thinkworklab.com” \t “_blank” https://thinkworklab.com . Acesso em: 15 dez. 2025.

JÚNIOR, Tácito Augusto Farias. O poder da mentalidade de crescimento e a antifragilidade. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação (REASE), São Paulo, v. 9, n. 9, p. 604-609, set. 2023.

ROXO, L. F.; WAENGERTNER, P. Ágil e antifrágil. HSM, [s.d.]. Disponível em: <https://www.hsm.com.br>. Acesso em: 2025.

Grupo de estudos Gestão de Mudanças – Novas Abordagens:

Paulo Matui

https://www.linkedin.com/in/paulo-matui-phd-89b38616

Marco Antonio Fernandes Cardoso

https://www.linkedin.com/in/marco-antonio-fernandes-cardoso-phd-msc-mba-eng-280a1a6a

São Paulo, 26 de janeiro de 2026