Gestão do humor nas organizações e a NR 1.5 – Estratégia para atenuar os riscos psicossociais e promover a saúde mental no trabalho

Marcelo Pinto, Natália Camara e Valéria Cardoso Breviglieri * (integrantes do  GE Saúde e Bem-Estar da ABRH-SP) 

O cenário corporativo atual impõe metas agressivas, hiperconectividade e  disponibilidade permanente, gerando impactos profundos na saúde dos  trabalhadores. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o estresse  ocupacional afeta milhões de pessoas e responde por mais de 840 mil mortes  anuais globalmente. Fenômenos como a síndrome de burnout, assédio moral e  isolamento relacional deterioram o clima interno e a produtividade. Diante disso,  este artigo trata como a gestão estratégica do humor pode atuar na prevenção e  mitigação desses riscos psicossociais.  

1. Riscos psicossociais e impactos organizacionais 

Os riscos psicossociais envolvem a concepção e a gestão do trabalho que geram  danos físicos ou psicológicos. O estresse crônico evolui para o burnout,  caracterizado por exaustão e baixa realização. O assédio moral destrói a  autoestima, enquanto o isolamento social (acentuado pelo home office)  enfraquece os vínculos relacionais. Para as empresas, esses fatores resultam  em absenteísmo, presenteísmo, queda de produtividade e elevação de custos  previdenciários e assistenciais.  

2. Fundamentos da gestão do humor: Método S.M.I.L.E. 

A gestão do humor, por mim desenvolvida, baseia-se na aplicação do Método  S.M.I.L.E., de forma planejada e ética do “riso positivo” (rir com as pessoas e  não das pessoas), que está estruturada em cinco etapas:  

S (Sorria): Campanhas de conscientização e sensibilização sobre os  benefícios físicos e emocionais do riso.  

M (Mudança de atitude): Estimular uma postura proativa para melhorar  o clima.  

I (Identificando oportunidades): Implementar ações práticas (Ginástica  do Riso, Yoga do Riso, Risoterapia, etc) com pessoas e no momento e  local adequados.  

L (Liderança positiva): Conscientizar líderes a apoiar e permitir o bom  humor na equipe e atividades.  

E (Envolver e executar): Colocar em prática as dinâmicas integrativas  planejadas.  

3. Impactos na saúde, clima e produtividade 

O riso estruturado de tal forma, pode colaborar na redução do estresse, alívio da  tensão muscular e diminuição do cortisol, ativando o coquetel D.O.S.E. de  neurotransmissores: Dopamina (motivação), Oxitocina (vínculo e confiança), 

Serotonina (regulação do humor) e Endorfina (alívio da dor). No ambiente de  trabalho, isso fortalece a segurança psicológica, facilitando a cooperação  hierárquica e a inovação. Pausas ativas e adequadamente humoradas  restauram a vitalidade e o foco, elevando a produtividade.  

4. Práticas, implementação e desafios 

Alinhada à mitigação de riscos, a Gestão do Humor fomenta práticas específicas:  • Estresse: Pausas de ginástica laboral associadas à Ginástica do Riso.  

Assédio: Palestras de sensibilização, visando combater o Assédio  (Hu)Moral contra piadas preconceituosas e apelidos pejorativos. 

Isolamento: Sessões virtuais de meditação e Yoga do Riso.  

Fadiga relacional: Oficinas de voluntariado em risoterapia e palhaçaria  terapêutica.  

Mas, colocar a Gestão do Humor em prática não é apenas uma questão de criar  ações ou campanhas pontuais. É um desafio cultural. E cultura não muda  somente com a orientação do RH. Ela muda nas relações do dia a dia, nos  comportamentos em reuniões, na forma como a liderança reage diante de um  problema com a equipe e na maneira como cada pessoa escolhe contribuir para  o ambiente em que está inserido.  

Os desafios também envolvem o preconceito de que o riso tira a seriedade  corporativa e o risco de “assédio recreativo”. Portanto, boas práticas exigem o  patrocínio da alta liderança, voluntariedade dos participantes e integração às  políticas de saúde ocupacional já existentes.  

5. CONCLUSÃO 

Assim sendo, a Gestão do Humor se mostra como uma ferramenta estratégica  viável e eficaz para atenuar riscos psicossociais e promover o bem-estar coletivo,  embora não substitua intervenções estruturais nas condições de trabalho. Enfim,  não é sobre deixar o ambiente divertido o tempo todo. É sobre criar relações de  trabalho mais humanas, conscientes e seguras para que as pessoas possam  entregar o seu melhor. 

*AUTORES – Marcelo Pinto: pai de 2, palestrante, assessor de RH, negociador  sindical, advogado trabalhista e atualmente graduando em Educação Física e  criador da Ginástica do Riso. Presidente da ABRARISO, Master Trainer pela  Laughter Yoga University (Índia) e Embaixador do Riso no Brasil.  

Natália Camara: mãe de 3, Coordenadora de RH e HR Business Partner, pós graduada em Gestão Estratégica de RH, tecnóloga em Tecnologia da Informação  e Gestão Empresarial. 

Valéria Cardoso Breviglieri: mãe de 2, Supervisora de RH na Proquimil Produtos Químicos Ltda, Graduanda em Gestão de RH pela Universidade São 

Judas Tadeu, Bacharela em Farmácia pela Universidade Paulista. Certificada  como Chief Happiness Officer pela Reconnect | Happiness at Work & Human  Sustainability, Analista de Mapeamento de Perfil Comportamental pela Aglutinar  Tecnologia e Comunicação Assertiva pelo Grupo Trhoca. 

REFERÊNCIAS 

OIT. “Riscos psicossociais no trabalho são associados a mais de 840 mil  mortes por ano”, publicado em 22.04.26 e disponível em  https://brasil.un.org/pt-br/314273-oit-riscos-psicossociais-no-trabalho s%C3%A3o-associados-mais-de-840-mil-mortes-por-ano

PINTO, M. Gestão do Humor e o Método S.M.I.L.E. São Paulo: Editora  Ser Mais, 2015.  

KATARIA, M. Laugh for No Reason. Mumbai, 2002.  

PINTO, M. Ginástica do Riso. E-book, 2026.  https://www.marcelopintopalestrante.com.br/index.php/ginastica-do-riso